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As reais causas da violência
O caos ocorrido recentemente em São Paulo devido aos ataques articulados com maestria pelos chefes do crime organizado (que não encontraram dificuldade para fazê-lo, mesmo estando presos) traz à tona, novamente, a falência do Estado enquanto protetor de seus cidadãos e mantenedor da ordem. E esta situação se agrava na medida em que as causas dessa falência não são combatidas.
Dentre elas, destaca-se a “justiça” de nosso país, que corrompe-se constantemente em favor daqueles que podem comprá-la, deixando-os impunes, independentemente da gravidade de seus crimes, e que mesmo quando julga, de fato, um criminoso, o faz baseada num código de lei obsoleto, o que contribui ainda mais para seu descrédito.
É também importante a escassez de verbas que o governo destina à segurança, refletida na falta de condições e de preparo da polícia, que, por isso mesmo, torna-se ineficiente e, não raro, corrupta.
Além disso, é determinante a ausência (ou desorganização) do Estado em determinadas regiões, notadamente na periferia dos grandes centros urbanos, o que leva essa população desamparada a reconhecer o crime organizado como sendo a única “instituição” capaz de exercer funções que deveriam ser desempenhadas pelo primeiro, como, por exemplo, protegê-los da violência.
Tudo isso somado só faz crescer a sensação de insegurança que toma conta dos brasileiros e causa a descrença no governo, com a conseqüente falta de interesse pela política, levando, assim, à manutenção dessa situação indefinidamente, já que para que algo mude é fundamental que a sociedade se mobilize para pressionar seus governantes a fim de que eles ajam no combate às causas acima. Até que isso ocorra, “salve-se quem puder”!
A Busca
Jonh Locke, em um de seus escritos, disse que, ao vivermos em sociedade, somos de certa forma obrigados a nos moldar a seus contornos. Vivemos em uma sociedade capitalista, uma sociedade em que o consumo desenfreado parece ser a cada dia mais comum, seguindo uma lógica como: "compro, logo existo". As pessoas perderam sua individualidade, são tratadas agora simplesmente como consumidores.
Esse fato é muito preocupante. As pessoas são levadas a acreditar que só poderão ser plenamente felizes se consumirem cada vez mais e mais, não percebem que felicidade e realização pessoal nada tem a ver com dinheiro ou com o próprio consumo.
Até hoje nenhum cientista conseguiu desvendar os mistérios que cercam os sentimentos humanos. Talvez seja isso que nos diferencie tanto. O sentimento de realização pessoal está ligado ao fato de nos sentirmos felizes como pessoas, como individuos, com aquilo que somos por dentro, com nossas potencialidades, com nossa capacidade transformadora, e tudo isso não está ligado ao consumo. O consumismo não faz com que nos sintamos realizados pessoalmente; ao contrário, esse é utilizado na maioria das vezes para tapar as carências internas.
Mesmo nos moldando, seja de forma consciente ou de forma inconsciente, às características de nossa sociedade, não podemos nos alienar, não podemos perder nosso senso crítico.
Temos que ter a idéia clara de que a realização pessoal é algo que vem de dentro para fora, e, sendo assim, não iremos encontrá-la se o único caminho em que a procurarmos for o do consumismo.
Quadro Negro
Se para Monteiro Lobato um país se faz de homens e livros, para os governantes diferente não poderia ser. O papel da leitura na formação de um indivíduo é de notória importância. Basta-nos observar a relevância da escrita até mesmo na marcação histórica do homem, que destaca, por tal motivo, a pré-história.
Em uma esfera mais prática, pode-se perceber que nenhum grande pensador fez-se uma exceção e não deixou seu legado através da escrita, dos seus livros, das anotações. Exemplos não são escassos: de Aristóteles a Nietzsche, de Newton a Ohm, sejam pergaminhos fossilizados ou produções da imprensa de Gutenberg, muito devemos a esses escritos. Desta forma, iniciarmos o nosso processo de transformação adquirindo tamanha produção intelectual que nos é disponibilizada.
A aquisição de idéias pelo ser humano apresenta um grande efeito colateral: a reflexão. A leitura é capaz de nos oferecer o poder de questionar, sendo a mesma freqüente em nossas vidas. Outrossim, é impossível que a nossa visão do mundo ao redor não se modifique com essa capacidade adquirida.
Embora a questão e a dúvida sejam de extrema importância a um ser pensante, precisam ter um curto prazo de validade. A necessidade de resposta nos é intrínseca e gera novas idéias, fechando, assim, um círculo vicioso, o qual nos integra e nunca terminamos de transformar e sermos transformados.
A leitura é a base para o desenvolvimento e a integração na sociedade e na vida, porquanto viver não é apenas respirar. Se Descartes estiver certo, é preciso pensar. Pensando, poderemos mudar o quadro negro do país e construir o Brasil de Monteiro Lobato: quadro negro apenas na sala de aula, repleto de idéias, pensamentos, autores, repleto de transformação e de vida.
Benefícios da leitura
Como a leitura pode transformação nossa realidade? A leitura é extremamente importante, não apenas por ser fundamental em nossa formação intelectual, mas também por permitir a todos um acesso a um mundo de informações, idéias e sonhos. Sim, pois ler é ampliar horizontes e deixar que a imaginação desenhe situações e lugares desconhecidos e isto é um direito de todos.
A leitura permite ao homem se comunicar, aprender e até mesmo desenvolver, trabalhar suas dificuldades. Em reportagem recente, uma grande revista de circulação nacional atribuiu à leitura, a importância de agente fundamental para a transformação social do nosso país. Através do conhecimento da língua, todos tem (sic) acesso à informação e são capazes de emitir uma opinião sobre os acontecimentos. Ter opinião é cidadania e essa parte pode ser a grande transformação social do Brasil.
Os benefícios da leitura são cientificamente comprovados. Pesquisas indicam que crianças que tem (sic) o hábito da leitura incentivado durante toda a vida escolar desenvolvem seu senso crítico e mantém seu rendimento escolar em um nível alto. O analfabetismo, um dos grandes obstáculos da educação no Brasil está sendo combatido com a educação de jovens e adultos, mas a tecnologia está afastando nossas crianças dos livros.
Permitir a uma criança sonhar com uma aventura pela selva ou imaginar uma incrível viagem espacial são algumas das mágicas da leitura. Ler amplia nosso conhecimento, desenvolve a nossa criatividade e nos desperta para um mundo de palavras e com elas construímos o que gostamos, o que queremos e o que sonhamos.
Portanto, garantir a todos o acesso à leitura deve ser uma política de Estado, mas cabe a nós dedicarmos um tempo do nosso dia a um bom livro, incentivar nossos amigos, filhos ou irmãos a se apegarem à leitura e acima de tudo utilizar nosso conhecimento para fazer de nossa cidade, estado ou país, um lugar melhor para se viver.
A omissão do termômetro
Nenhum médico é o causador do mal que acomete seu paciente. O termômetro, muito menos. Mas o médico, dono e usuário do termômetro, é o responsável direto pela vida do doente. Fazer o possível para manter e remediar a saúde humana é dever de todo e qualquer médico.
O Vestibular, assim como o termômetro, não é o causa dor do mal que corrói o sistema educacional brasileiro. Não é culpa do Vestibular os baixos salários dos profes sores, a falta de material didático ou o estado lamentá vel de muitos prédios escolares. Não é em função do Vestibular que o Brasil compete em índice de analfabe tismo com Nicarágua ou Honduras. Não é graças ao Vestibular que apenas um, em cada cem estudantes, consegue atingir e concluir o curso superior.
Entretanto, o Vestibular jamais poderia ser culpado des ses males. Afi nal, trata-se de um processo. Processo esse criado e dirigido por seres humanos. Senhores públicos secretários da educação – Ministro da educação, Senhores que são, estes sim, responsáveis pelo sistema educacional brasileiro.
Ora, se o termômetro indica o favorecimento de uma parcela mais rica da população, é porque há algo de errado. Mais que isso: esse algo de errado já foi detectado pelos senhores responsáveis pelo ensino no Brasil. E esses senhores, médicos do sistema educacional brasileiro, sabem da doença, mas nada fazem. Como chamar a isso? Omissão?
Os mesmos senhores que fazem o Vestibular, sabem das carteiras quebradas, dos professores mal pagos, do anal fabetismo, mas lavam as mãos. E assim, o Vestibular continua barrando os jovens do morro e das favelas.
O Brasil nasceu para esperar
Aeroportos lotados. Vôos atrasados ou cancelados. Falta de informações confiáveis. Falta de confiança ao voar. A situação do sistema aéreo brasileiro já deixou de ser um problema passageiro e passou a ser um motivo de pura calamidade pública.
Como depender de um sistema tão ineficiente? Após a queda do avião da Gol numa região da floresta amazônica ao norte do estado de Mato Grosso (fato recente) , as deficiências do domínio aéreo brasileiro começaram a ser reveladas. Agora, com o acidente da aeronave da TAM em pleno centro de São Paulo, a população começa a acordar para o fato de que é deste frágil sistema que , muitas vezes, dependem suas frágeis vidas.
O descaso com os familiares e amigos das vítimas deste infortúnio demonstra que, apesar de não ser ainda possível comprovar se houve falha humana envolvida na catástrofe, a mesma falha, com certeza, encontra-se presente nas relações humanas estabelecidas. A perda de uma vida deixou de ser motivo suficiente para o surgimento de reformas efetivas, restando apenas desrespeito e omissão para os desafortunados que continuam vivos.
Mudanças são essenciais para que novos acidentes aéreos não ocorram. Em vez de promover a discórdia e culpar indivíduos que já não têm como se defender, as grandes autoridades envolvidas no caso deveriam procurar promover e efetivar melhorias como a reforma dos aeroportos, um melhor treinamento dos trabalhadores, a contratação de uma mão-de-obra mais qualificada e. principalmente, o respeito para com outros seres humanos.
O brasileiro não quer mais ser deixado de lado, não quer mais presenciar acidentes e não ter a quem culpar, não quer perder aqueles que ama devido a erros fáceis de evitar, O brasileiro se cansou de esperar.
De acordo com a Teoria da Educação das Espécies, o que possibilita a formação do mundo como conhecemos hoje foi a sobrevivência dos mais aptos ao ambiente. A seleção natural se baseia na escolha das características mais úteis. Estas somente se originam a partir das diferenças determinadas por mutações em códigos genéticos com o passar do tempo.
Se no âmbito Biológico as variações são imprescindíveis à vida, no sociológico não é diferente. Uma vez todos iguais, seriamos atingidos pelos mesmos problemas sem perspectiva de resolução, já que todas as idéias seriam semelhantes.
A maioria das pessoas está inserida em um contexto social. Contudo grandes inovações se fazem a partir do reconhecimento da individualidade de seus integrantes. Assim é de nossa responsabilidade respeitar nossos semelhantes independentes do sexo, raça, idade, religião, visto que dependemos mutuamente.
Obviamente nem todas as diferenças são benéficas. Por exemplo, a diferença entre classes sociais não poderia assumir tal demissão. Para somá-la, necessitamos de uma melhor distribuição de renda aliada a oportunidades de trabalho, educação e saúde para todos.
Devemos nos conscientizar que somos todos iguais em espécie mas conviver com as diferenças (por mais difícil que pareça), pois elas nos enriquecem como pessoas. Nossos esforços devem ser voltados contra discriminações anacrônicas e vis, como o racismo ou perseguições religiosas. Estas não nos levam a lugar algum, apenas nos desqualificam como seres humanos.
Ano: 2007
Redação 3
O caos ocorrido recentemente em São Paulo devido aos ataques articulados com maestria pelos chefes do crime organizado (que não encontraram dificuldade para fazê-lo, mesmo estando presos) traz à tona, novamente, a falência do Estado enquanto protetor de seus cidadãos e mantenedor da ordem. E esta situação se agrava na medida em que as causas dessa falência não são combatidas.
Dentre elas, destaca-se a “justiça” de nosso país, que corrompe-se constantemente em favor daqueles que podem comprá-la, deixando-os impunes, independentemente da gravidade de seus crimes, e que mesmo quando julga, de fato, um criminoso, o faz baseada num código de lei obsoleto, o que contribui ainda mais para seu descrédito.
É também importante a escassez de verbas que o governo destina à segurança, refletida na falta de condições e de preparo da polícia, que, por isso mesmo, torna-se ineficiente e, não raro, corrupta.
Além disso, é determinante a ausência (ou desorganização) do Estado em determinadas regiões, notadamente na periferia dos grandes centros urbanos, o que leva essa população desamparada a reconhecer o crime organizado como sendo a única “instituição” capaz de exercer funções que deveriam ser desempenhadas pelo primeiro, como, por exemplo, protegê-los da violência.
Tudo isso somado só faz crescer a sensação de insegurança que toma conta dos brasileiros e causa a descrença no governo, com a conseqüente falta de interesse pela política, levando, assim, à manutenção dessa situação indefinidamente, já que para que algo mude é fundamental que a sociedade se mobilize para pressionar seus governantes a fim de que eles ajam no combate às causas acima. Até que isso ocorra, “salve-se quem puder”!
A violência é o termômetro da ordem na sociedade. Países com Estado organizado e população com boas condições de vida não têm motivo para apresentar altos índices de criminalidade. Aqueles que, no entanto, ao construir sua história esqueceram no caminho o real significado de “democracia” e “Estado” sofrem hoje as conseqüências. E é nesse grupo que o Brasil se encaixa. A função do Estado é prover aos cidadãos as condições para viver de forma digna.
Hobbes afirmava que é em troca dessa ordem e segurança que o homem entrega sua liberdade a uma “assembléia de homens”. No entanto, hoje, no Brasil, o Estado não apenas não desempenha sua função corretamente como também afirma que todo cidadão é livre, ignorando o fato de que temos liberdade de “ir” sem nunca ter certeza de que estaremos vivos para “vir”.
Esse Estado desorganizado abre espaço para o crime organizado uma vez que os acertos deste dependem dos erros daquele. E o Estado não pára de errar: governa em favor dos interesses das elites, se esquece dos direitos dos cidadãos – mas nunca dos deveres – e, para completar o retrato da desordem, semeia a impunidade. Junta-se tudo e tem-se a fórmula de como fadar um país ao eterno subdesenvolvimento.
Em um país subdesenvolvido como o Brasil, com um Estado ausente e distante, o povo é apenas espectador de sua história, nunca protagonista. Mas “tudo bem”, antes de as cortinas fecharem vem o “final feliz”: o Brasil vai ser hexacampeão. E a realidade vai continuar assim, sempre igual.
EAD ENTRE A LOGÍSTICA E A PEDAGOGIA
O uso das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) pode potencializar o aprendizado ainda que as desconfianças de alguns permeiem os cursos assim disponibilizados. Acima do que possa parecer dificuldade, a autonomia dos estudantes e a necessidade do docente de rever posturas pedagógicas proporcionam mudanças significativas e positivas na relação ensino aprendizagem.
Quanto a isso, a educação a distância (EAD) envolve, ao mesmo tempo, a autonomia dos alunos e a interação entre eles e com o professor. Essa liberdade de estudo promove um dinamismo na conduta de ambos capaz de não só revolucionar a forma de transmitir e receber conteúdos, mas de dá a esses, significados maiores e àqueles oportunidade de aproximação, diminuição - paradoxalmente – da distância entre eles. Separação que existia pela existência de um senhor único e detentor do saber nas salas de aula presenciais. Dessa forma abre-se a possibilidade para que o conhecimento seja realmente “trabalhado”.
Nessa linha de pensamento a EAD faz com que o professor reconsidere seu papel, trocando a posição de instrutor pela de mediador. Troca essa que não diminui sua importância, apenas faz com que possa oferecer de forma diferente seus serviços. O saber mediado ganha nova conotação e proporciona ao alunado maiores condições de realmente “trabalhar” os conteúdos, uma vez que o mediador passa ter a preocupação de facilitar o processo ensino-aprendizagem criando meios motivadores para tal. O foco que antes era na mensagem agora se ramifica para o canal e para o receptor.
Vemos assim então, que o processo de construção do conhecimento ocorre de forma diferente do que na educação tradicional. Essa diferenciação deve ser o motivador dos interessados, seja governo, diretores, coordenadores, tutores ou alunos. Entretanto, enxergar essa diferenciação como benefício ainda é um desafio para a maioria da população, instruída ou não. O medo do novo, tão natural , precisa ser superado com informação. Pois ainda temos, ao que parece, a busca pelo ensino não presencial por uma questão de logística e não pedagógica.
Autor Professor Aerton nota dez no curso de extensão "Produção de textos acadêmicos' 2012 - CEDERJ